Parece que tive muitas coisas para escrever aqui, e agora todas elas somem, numa disparada de idéias nada poética, porém irônica.
O tempo é o companheiro inexorável, leva-me para o desconhecido dos novos dias. Corre com as horas; eu durmo e acordo sem sentir os minutos...
Só às vezes - algumas vezes, não sei por que - sinto o tempo pesado, atmosfera densa, quiça marrom, pura sinestesia. Como num fluxo de consciência, situo-me temporalmente. Vivi quase duas décadas, mas ontem mesmo eu pensava como seria, como estaria aos dezoito. E só agora descobri que, indubitavelmente, sou apenas e principalmente aquilo tudo que eu jamais seria caso não fosse eu mesma.
Temos nosso próprio tempo, somos tão jovens: são coisas relativas. Mas quem sabe algum dia não escrevo uns haicais...
domingo, janeiro 27, 2008
sábado, dezembro 08, 2007
sábado, dezembro 01, 2007
As últimas horas
Gustavo - O caminho para casa é sempre mais longo quando se tem fome. Os carros demoram mais a passar, numa fila interminável na avenida cinza, de árvores coloridas enfileiradas - e mesmo assim a avenida é tão cinza...Agora - não tem carro vindo - corre - atravessa. Freada brusca, o carro derrapa na calçada. Gustavo parado mais a frente, mão no peito, desentendendo o que aconteceu, o que diria pra mãe (Quase fui atropelado porque não olhei pros dois lados - Eu sempre te disse pra sempre olhar pros dois lados, menino tolo! Quase morre!). Sai com a cabeça abaixada, olhando de viés a rua, como se pudesse ir preso por quase ter morrido.
O caminho pra casa é sempre mais curto quando se tem alguma coisa que não se quer contar, mas deve. Gustavo chega em casa, a mãe no sofá, o gato no tapete. Persa - o gato ou o tapete? O gato. Não eram ricos - A mãe olha o garoto passar batido jogando logo a mochila na cama e voltando pra sala. Senta no outro sofá, sem olhar pra mãe. A mãe saca e pergunta então: O que que te aconteceu?; Nada, ele responde; a mãe: porque essa cara então?; Gustavo: quase fui atropelado na avenida; a mãe quase histérica: como isso?; Gustavo amedrontado, falando pra dentro: desci sem olhar pros dois lados, veio um carro na contramão e por pouco não fui - a mãe se põe nervosa, com a mão na cabeça. Foco no gato, que olha indiferente a cena trágica. A mãe chora e grita: quantas vezes te falei? Por falta de falar não foi, né? Quase morre e me mata!...
Gustavo: .... Dá de ombros. pergunta: que tem de almoço? A mãe continua se lamentando. O garoto desiste e vai pra cozinha, faz um prato de virado com salada de alface mais o frango do dia anterior, domingo, sempre passa rápido. Cacete! Lembra do que se esqueceu; pegar a ficha do trabalho de escola na casa do Josias. Josias sai pra trabalhar ao meio dia, agora já falta só dez minutos pra hora. Gustavo: Mãe, vou na rua de trás pegar um negócio na casa do Josias. A mãe, sarcástica: olha pros lados. Gustavo bate a porta.
Na rua passa o Fox vermelho, todinho, deslizando no asfalto maltratado. Dois segundos o garoto olhando, a brasília (sem cor de tão velha) acerta em cheio a perna que sustentava o corpo. Gustavo estatela no chão, o carro termina de passar por cima, magoa os músculos todos, estoura vasos, espalha sangue na rua; vermelho o sangue, o Fox. Que continua seu caminho.
O caminho pra casa é sempre mais curto quando se tem alguma coisa que não se quer contar, mas deve. Gustavo chega em casa, a mãe no sofá, o gato no tapete. Persa - o gato ou o tapete? O gato. Não eram ricos - A mãe olha o garoto passar batido jogando logo a mochila na cama e voltando pra sala. Senta no outro sofá, sem olhar pra mãe. A mãe saca e pergunta então: O que que te aconteceu?; Nada, ele responde; a mãe: porque essa cara então?; Gustavo: quase fui atropelado na avenida; a mãe quase histérica: como isso?; Gustavo amedrontado, falando pra dentro: desci sem olhar pros dois lados, veio um carro na contramão e por pouco não fui - a mãe se põe nervosa, com a mão na cabeça. Foco no gato, que olha indiferente a cena trágica. A mãe chora e grita: quantas vezes te falei? Por falta de falar não foi, né? Quase morre e me mata!...
Gustavo: .... Dá de ombros. pergunta: que tem de almoço? A mãe continua se lamentando. O garoto desiste e vai pra cozinha, faz um prato de virado com salada de alface mais o frango do dia anterior, domingo, sempre passa rápido. Cacete! Lembra do que se esqueceu; pegar a ficha do trabalho de escola na casa do Josias. Josias sai pra trabalhar ao meio dia, agora já falta só dez minutos pra hora. Gustavo: Mãe, vou na rua de trás pegar um negócio na casa do Josias. A mãe, sarcástica: olha pros lados. Gustavo bate a porta.
Na rua passa o Fox vermelho, todinho, deslizando no asfalto maltratado. Dois segundos o garoto olhando, a brasília (sem cor de tão velha) acerta em cheio a perna que sustentava o corpo. Gustavo estatela no chão, o carro termina de passar por cima, magoa os músculos todos, estoura vasos, espalha sangue na rua; vermelho o sangue, o Fox. Que continua seu caminho.
domingo, novembro 04, 2007
Paradoxos e Críticas Ácidas
O estômago se contrai num susto dolorido, na fisgada interna.
Paredes brancas contra o pensamento escuro, turvo. Escrevo para não me perder e para não perder os sentimentos momentâneos. Cada momento sou alguém diferente, a única constante é a mudança.
De encontro à parede e ao armário frio, é uma terça-feira cheia de sono, enfeitada de divagações e desejos. Um nome, duas esperas; uma, duas semanas. O tempo corre contra nós; eu busco maneiras e reviro o passado recente. Foram dias, foram horas; não sei, foi um tempo incomum.
Paredes brancas contra o pensamento escuro, turvo. Escrevo para não me perder e para não perder os sentimentos momentâneos. Cada momento sou alguém diferente, a única constante é a mudança.
De encontro à parede e ao armário frio, é uma terça-feira cheia de sono, enfeitada de divagações e desejos. Um nome, duas esperas; uma, duas semanas. O tempo corre contra nós; eu busco maneiras e reviro o passado recente. Foram dias, foram horas; não sei, foi um tempo incomum.
domingo, outubro 28, 2007
Passos, aos poucos
Bem, é um pouco tarde já. Mas é que ficou a sensação de não ter dito tudo o que eu queria (como se fosse possível traduzir isto, codificar) e...Bem, isso aqui às vezes me parece egocêntrico demais, e já não sei se é um problema ou uma solução.
Mais duas horas pra meia dúzia de palavras sem o sentido exato que eu queria. Aos poucos vou chegando lá. E lá é um lugar não muito longe, não muito perto, depende do conceito de perto e longe. Muito relativo, isso sim.
Mais duas horas pra meia dúzia de palavras sem o sentido exato que eu queria. Aos poucos vou chegando lá. E lá é um lugar não muito longe, não muito perto, depende do conceito de perto e longe. Muito relativo, isso sim.
Os dias vivos
Eu vislumbro um horizonte tão diferente após alguns dias; quando desci do ônibus, senti o ar gelado de um lugar estranho.
Penso que tudo o que eu pensava antes se fortalece, e encontra na prática a força que outrora era teórica apenas.
Levo duas horas ou mais para postar aqui, tentando organizar os pensamentos. Pensar e pensar.
Penso que tudo o que eu pensava antes se fortalece, e encontra na prática a força que outrora era teórica apenas.
Levo duas horas ou mais para postar aqui, tentando organizar os pensamentos. Pensar e pensar.
sábado, outubro 06, 2007
"The time to hesitate is through"
Sim, o tempo de hesitar está terminado. E tanta coisa por fazer.
Parece que nunca há tempo suficiente. Parece que nada é suficiente nunca. Parece que o tempo é nunca, todo tempo é fruto do pensamento, e escorre rapidamente por nossas horas quentes.
Parece que nunca há tempo suficiente. Parece que nada é suficiente nunca. Parece que o tempo é nunca, todo tempo é fruto do pensamento, e escorre rapidamente por nossas horas quentes.
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