quarta-feira, julho 23, 2008

Enquanto isso...

Por aqui, já não me reconheço mais. Não sei se há sentido em fazer certas coisas, que põem entraves no pensamento e arrependimento na alma.

segunda-feira, julho 21, 2008

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Não sei se quero respostas. Talvez o que elas tenham a me dizer não seja suficientemente suficiente.

Back To Black

Eu faço coisas, e digo. O que eu sei, não faço questão de explicar.
Tudo é escuro, mas gosto da confusão às vezes; e gosto mais é da sensação de mudar e realizar o inesperado. Como assim, a gente pensa? E o que devem chamar de consciência responde, com uma risada ou algo que o valha.

sábado, maio 17, 2008

Tempo, tempo, tempo, tempo.

Você está num lugar, mas é como se estivesse em vários ao mesmo tempo. A última noite não é repetição de nenhuma outra, e, bem, há quase uma certeza de que outras mais virão, e melhores ainda, se possível for; e possível será.
É preciso um tempo pra nós mesmos, é preciso um tempo pra mim; aqui, neste novo mundo, só é novo aquilo que se propõe a não viver sempre no outono. Você pode viver, ou pode ir além de simplesmente viver. Ir além é, também, zelar pelos seus - na medida em que você se encontra, melhor se dispõe aos outros.
E lá vamos nós...O tempo é todo nosso, com quantas reticências quisermos.
[......]

domingo, janeiro 27, 2008

Ode Ao Tempo

Parece que tive muitas coisas para escrever aqui, e agora todas elas somem, numa disparada de idéias nada poética, porém irônica.
O tempo é o companheiro inexorável, leva-me para o desconhecido dos novos dias. Corre com as horas; eu durmo e acordo sem sentir os minutos...
Só às vezes - algumas vezes, não sei por que - sinto o tempo pesado, atmosfera densa, quiça marrom, pura sinestesia. Como num fluxo de consciência, situo-me temporalmente. Vivi quase duas décadas, mas ontem mesmo eu pensava como seria, como estaria aos dezoito. E só agora descobri que, indubitavelmente, sou apenas e principalmente aquilo tudo que eu jamais seria caso não fosse eu mesma.
Temos nosso próprio tempo, somos tão jovens: são coisas relativas. Mas quem sabe algum dia não escrevo uns haicais...

sábado, dezembro 08, 2007

Borracha no papel.

Tudo é mais fácil quando se pode apagar o que não interessa mais.

sábado, dezembro 01, 2007

As últimas horas

Gustavo - O caminho para casa é sempre mais longo quando se tem fome. Os carros demoram mais a passar, numa fila interminável na avenida cinza, de árvores coloridas enfileiradas - e mesmo assim a avenida é tão cinza...Agora - não tem carro vindo - corre - atravessa. Freada brusca, o carro derrapa na calçada. Gustavo parado mais a frente, mão no peito, desentendendo o que aconteceu, o que diria pra mãe (Quase fui atropelado porque não olhei pros dois lados - Eu sempre te disse pra sempre olhar pros dois lados, menino tolo! Quase morre!). Sai com a cabeça abaixada, olhando de viés a rua, como se pudesse ir preso por quase ter morrido.
O caminho pra casa é sempre mais curto quando se tem alguma coisa que não se quer contar, mas deve. Gustavo chega em casa, a mãe no sofá, o gato no tapete. Persa - o gato ou o tapete? O gato. Não eram ricos - A mãe olha o garoto passar batido jogando logo a mochila na cama e voltando pra sala. Senta no outro sofá, sem olhar pra mãe. A mãe saca e pergunta então: O que que te aconteceu?; Nada, ele responde; a mãe: porque essa cara então?; Gustavo: quase fui atropelado na avenida; a mãe quase histérica: como isso?; Gustavo amedrontado, falando pra dentro: desci sem olhar pros dois lados, veio um carro na contramão e por pouco não fui - a mãe se põe nervosa, com a mão na cabeça. Foco no gato, que olha indiferente a cena trágica. A mãe chora e grita: quantas vezes te falei? Por falta de falar não foi, né? Quase morre e me mata!...
Gustavo: .... Dá de ombros. pergunta: que tem de almoço? A mãe continua se lamentando. O garoto desiste e vai pra cozinha, faz um prato de virado com salada de alface mais o frango do dia anterior, domingo, sempre passa rápido. Cacete! Lembra do que se esqueceu; pegar a ficha do trabalho de escola na casa do Josias. Josias sai pra trabalhar ao meio dia, agora já falta só dez minutos pra hora. Gustavo: Mãe, vou na rua de trás pegar um negócio na casa do Josias. A mãe, sarcástica: olha pros lados. Gustavo bate a porta.
Na rua passa o Fox vermelho, todinho, deslizando no asfalto maltratado. Dois segundos o garoto olhando, a brasília (sem cor de tão velha) acerta em cheio a perna que sustentava o corpo. Gustavo estatela no chão, o carro termina de passar por cima, magoa os músculos todos, estoura vasos, espalha sangue na rua; vermelho o sangue, o Fox. Que continua seu caminho.