terça-feira, maio 01, 2012
Neil Young e Família
Ouço Harvest Moon enquanto arrumo algumas coisas depois que minha irmã foi embora. Ouço as canções que as árvores floridinhas cantam agora na primavera, enquanto arrumo a minha vida, enquanto cuido do espírito e me admiro (palavrinha recorrente, capaz de nos emudecer mesmo quando há tanto pra falar...) com as descobertas e as pessoas, com as cores e a sutileza dos nossos dias. Nada é como estar com alguém que te conhece de verdade, que te deixa à vontade de verdade, companhia agradável sem esforço, subindo as montanhas, sentado no parque, tomando uma cerveja olhando o rio, os barcos. Às vezes a coisa mais difícil é admitir que a gente nunca vai voltar a morar com a família como quando a gente era criança e jamais podia imaginar o que ia ser da vida de cada um. Ainda que os amigos te liguem pra dizer que estão te esperando em um bar qualquer, pode ser que a única vontade seja voltar aos dias que a gente comia bolacha água e sal assistindo Sessão da Tarde.
sexta-feira, abril 13, 2012
a simplicidade da palavra,
seguida do gesto também inocente, pronunciando com calma: du bist wirklich cool!
quinta-feira, março 15, 2012
"Here comes the sun"
nunca foi minha preferida. Parecia meio sem porquê a canção, até que hoje de fato o dia estava tão bonito, apesar dos pesares e das coisas que não funcionam. O mundo me grita pedindo paciência, tudo o que eu não podia dar agora, numa insegurança tremenda. O jeito é andar pelas ruas à noite, vendo a escuridão e a calmaria destes dias, interpelado pelos taxis, e volta e meia um gato.
E eu já fui menos persistente...
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Qualquer coisa entre liberdade e solidão,
entre bem-estar inesperado e o incômodo da distância, da ausência, do silêncio, do não-saber. Entre a beleza incomparável de algumas paisagens e a secura que aos poucos se estabelece por dentro, mas sempre controversa face ao desfrute leve e gradual de alguns lugares à primeira vista inóspitos, mas que apresentam o horizonte. Eu pude voltar a escrever, assim, despretensiosamente, como os dias sem planos, mas com pequenas surpresas. No fim, tudo isso só me mostra que é preciso tirar força dos sonhos pra superar não só a falta de grana, como a dependência de pessoas - próximas e alheias - sem me sentir menor por conta disso. Nada agradável essa situação deste ponto de vista; c'est la vie. Violão, cd, livro; alemão, português, com dedicatória. Tudo doce por esses dias, mas já não tenho tanta vontade de comer o mundo como tinha...estou saboreando com os olhos primeiro, apenas aprimorando os sentidos, ao modo de quem não ouve/entende direito, nem consegue ainda falar o que pensa. Estou encontrando minhas entrelinhas, meu interior no interior, tendo tudo ao meu dispor num sotão no meio do nada.
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
O seu jeito de usar a segunda pessoa
me soa sempre tão bonito, tão agradável, que eu podia ficar te ouvindo contar as histórias absurdas por horas a fio. Caso raro, ainda mais na minha situação atual. Voltei pro complexo do fim dos dias, nessa contagem regressiva torturante, na indecisão de não saber o que significa exatamente ser tão legal mexer no seu cabelo e você no meu.
terça-feira, janeiro 17, 2012
Da saudade; da surpresa.
É isso: superação. Novidade. Pensamento. Sentimento. Desapego. Força. Ligação. Parada em frente à pedra, às flores, chovia, tinha nevado, e aconteceu algo inexplicável. Vontade de retorno. Vontade de roubar uma respiração sempre latente, por acontecer. Poeta louco e suas manias, seu jeito de olhar na hora que menos se espera.
quinta-feira, janeiro 12, 2012
Pra enxergar longe,
óculos. Visões especiais. "And if I was yours, but I'm not". Preparando um discurso, aperfeiçoando, criando a afinidade pela compreensão mútua e implícita. Há algo maior que o conhecido. Cantando Doors num karaokê, com os olhos fechados, conversando em língua estranha, o mundo fica melhor quando há disposição, bem estar. Eu poderia ficar aqui pra sempre, no vento, de onde vi os fogos estourarem e sumirem.
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