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segunda-feira, janeiro 25, 2021

Romance de formação sem garoa

Em São Paulo se deu a maior parte do meu próprio romance de formação. Ali eu conheci não só a cidade grande, mas a filosofia, a política, o fluxo humano, a vida social, o gozo, a independência, o perigo, a desilusão, criei minhas esquinas clássicas, tive o sentimento de me apropriar de um lugar, pertencer a um lugar, crescer em um lugar - até que veio a roda viva e de repente já não fazia sentido tantas perdas para poucos ganhos e cada vez mais restritas possibilidades. Mas São Paulo povoa até hoje o meu imaginário e quando, vez ou outra, uma foto da cidade atravessa meu caminho, em um momento assim desavisado, transborda o mar de lembranças e o balanço, agora-que-não-estou-mais-lá, permanece positivo: tenho um carinho enorme por muito do que a cidade é e por tudo o que fui lá. 

quarta-feira, janeiro 09, 2019

Ornamento

Olho a igreja em seus detalhes. É preciso tempo, sentar-se confortavelmente, sossegar o espírito, minimizar os ruídos e diminuir os barulhos que adentram da praça da Sé até sentir, ouvir a atmosfera ondulando na fronte, passando entre os ouvidos. E então: levantar os olhos, mirar as pilastras, os feixes de colunas que conduzem os olhos sempre para cima, onde encontram os ornamentos. São repetições não exatamente geométricas, mas padrões vegetais, ramos com as folhas pequenas levemente descoladas da construção.


Fonte: http://www.imagens.usp.br/?attachment_id=8909

Mais acima está o teto de abóbadas de arestas, um céu pontudo sob a floresta de colunas. 

terça-feira, março 03, 2015

Do cotidiano

Seis horas da tarde e o cheiro de incenso aparece não sei de onde - entra na casa pelas janelas ou ralos? Faz um pouco de frio e a cidade começa a ficar cinzenta nos fins de tarde sem horário de verão. Aos poucos resgatamos os agasalhos do baú e só o ritmo frenético dá uma pausa na nostalgia que sorrateiramente aparece e nos invade.