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quinta-feira, abril 07, 2016

Denso, extenso, indecifrável

Dois dias para cair o cheque, vinte minutos para cozinhar o arroz, quatro minutos para o próximo trem. Meia hora a mais já é uma ajudinha, cinco minutos de soneca decidem o dia e o atraso. Três semanas sem se ver, um fim de semana na praia, um áudio de 3 minutos se desculpando, semana de trabalho de infinitas horas descansando como no Princípio, só no sétimo dia, que parece então reduzido a poucas horas em vez de 24. Duas transas até encaixar, sempre dez minutos até gozar. 40 reais a hora-aula, 1165 o aluguel. É preciso subir a hora-aula. A partir de 46 aulas rola um bônus. 106 páginas até aqui, falta a conclusão, falta expandir o desenvolvimento, falta lapidar a introdução, falta rever a bibliografia. Sala 21, despertador às 5h. 
Se a estatística alcança a previsão, não logra descrever as possibilidades: sabemos que são muitas, quiçá sejam os arranjos infinitos, mas não saberemos jamais como ou devidamente quais são. O que é o tempo? A vida vira um desfile de números, cujo significado não é além de imposto, arbitrário, atribuído. Os Jogos Olímpicos de 1896 quase foram arruinados por uma diferença de calendários, li ontem enquanto tomava o terceiro café do dia. . 

quinta-feira, maio 14, 2015

Sobre "ficar bem", mas não "ficar"

Vamos ficar bem, eu sei, mas algumas coisas não vão ficar. O mais duro, porém, são os entes, os seres que não ficam, não permanecem. Um pedacinho de nós está literalmente morrendo; estamos assistindo perplexos e paralisados sob a ameaça de ter de tomar uma decisão para aliviar o sofrimento - a decisão que julgamos justa a respeito de uma situação sobre a qual não se conhece o outro lado.
Já não sei o que posso falar porque na verdade estou de longe. A lembrança me arrebata volta e meia como aviso de algo que está para acontecer, amargando os dias e os gostos. Deveríamos nos deter na lembrança do percurso, mais que no final, na despedida. Mas como isso é possível? A natureza é cruel em suas resoluções e acho difícil verbalizar enquanto me percebo, há alguns dias, num estado de negação, confiando na imprevisibilidade dos fatos e nas possibilidades menos traumáticas.
O tempo, sempre ele.

quinta-feira, abril 23, 2015

Próxima entrevista

Hoje pela manhã ouvi aquele sábio professor dizer que não devemos gastar nosso precioso tempo com coisas inúteis. Ele narrava uma experiência própria: fora contratado por uma escola particular em bairro nobre e após a primeira aula, foi direto à secretaria pedir demissão. Não consegui assistir uma aula inteira sequer desde o começo de seu curso, mas em dez minutos ele me disse exatamente o que eu deveria ouvir.
Ser adulto é lidar com os riscos ou assumir responsabilidades? Ser o que somos ou o que devemos ser?