terça-feira, março 16, 2010

Wittgenstein e os mecanismos da mentira

pode ser, pode não ser - agora se você realmente quer acabar com isso de uma vez, tem de saber separar as instâncias, e parar de buscar ou escutar os desdobramentos. Fato é que acontecem coisas, e quais dessas a gente vai querer carregar para o túmulo sem que seja por aprendizado? a vida tem coisas muito boas, e outras muito más, muitas causadas por nós mesmos, e como se eximir da culpa? Ossos do ofício; até que importa o que alheios acham que entreveem nas atitudes em que nós daríamos a conhecer, mas seu eu não sei o que é bom pra mim, quem é que vai saber?
De Wittgenstein chegamos ao mecanismo da mentira; é uma visão muito leve, esses dias andam tão bons, tão cheios de descoberta. Dizem que esta palavra motiva. Sou bem chata, mas tem sigo gostoso conviver comigo mesmo nas circunstâncias que eu não conhecia; muito divertido, dir-se-ia...estamos nos movendo e crescendo, todos, cada um a seu modo. Eu pensei em dar umas respostas àquilo que não concordo, ainda mais quando a questão é julgamento, mas - no fundo - há tanta urgência na vida, que deixa passar e por mim quando a história acaba o ponto final permite que outras começam, melhores ou, ao menos, mais experientes. O tempo é mercúrio-cromo; não me acanho em ver vaidade em mim...vou levando assim, que o acaso é amigo do meu coração.

domingo, março 14, 2010

Reconhecimento

as músicas na minha cabeça ainda são as mesmas, mas quantas são as coisas que podem mudar, ora abruptamente, ora na leveza. Nada como alguém para acreditar naquilo que se crê também. Nada como um trabalho em que alguém aposta, ainda que seja hesitando; os frutos brotam devagar, mas com tanto cuidado e carinho que dá aquele ciúme, quase, quase.
Cada um é feliz ao seu jeito; importa menos saber que jeito é esse, desde que se esteja bem consigo mesmo...Tenho umas lembranças engraçadas o tempo todo, são elas com retratos do ambiente em transfomação - interior e exterior. É bom, afinal, ver que as coisas mudam - seja por nossa causa, seja como causa de nossas transformações. Sobre o que você quer escrever hoje, me perguntei? Não sei; sobre tudo ou sobre nada. Às vezes é a mesma coisa; as coisas se delimitam entre si; tudo o que é, é algo que outro não é.

quinta-feira, março 11, 2010

brand new start [ou simultaneidade e causalidade]

em tempo, pra tudo há tempo. Até pra voltar a ler o Kant, e sacar no coletivo um negócio interessante: a vida pra nós parece simultaneidade, a vida em seus fenômenos (dir-se-ia, aparições) dá a entender que tudo sempre acontece de uma vez. Mas não, o que há por trás do turbilhão é causa e efeito: se a cabeça pousada no travesseiro parece o signo de um momento só, pense-se que a covinha feita no travesseiro é efeito do pousar da cabeça.
No limite, quando as coisas se imiscuem umas nas outras, por trás da pura percepção da confusão há a causalidade dos fatos.
Brand new start. A bagunça de agora é organizada, Kant me diz. Interiormente vou ouvindo aquela musiquinha do comercial do sonho de valsa, Amarante. Sabe que esses dias me ensinam uma porção de coisas, dos modos duros que a vida põe. Sabe que nós vamos nos despedaçando entre essas lembranças - aponta pra fé e rema. O grande problema é que a dor me instiga a não ficar parada - essas coisas não são tão indiferentes quanto se pensa (e o que é pior, quanto se julga), mas é que ninguém quer perguntar o porquê dos porquês, das escolhas das atitudes. O Destino não se decide só na tomada de ações; é fruto da escolha livre da omissão. E falar de covardia, submissão, sem olhar nos olhos é remédio que só encobre a verdadeira doença; resta-nos ver de onde vem, de fato, a dor.

terça-feira, março 09, 2010

mas o que é que a gente consegue resolver?

Não aprendemos ainda nem a lidar com nossos demônios, no fim das contas, com os absurdos pessoais, essas esperas malditas e expectativas. Tudo isto é um turbilhão. Certo era Wittgenstein ao dizer que sobre o que não se pode dizer, o melhor é se calar. Intenções, distrações, estragégias, e a enorme distância entre a prática e a teoria. Eu acreditava que falar era resolver, mas sequer sei o que quero falar. Eu preciso de espaço, de tempo, de Eu mesma; e por mais que diga que não, e por mais que sejam esferas distintas da vida, a vida é uma só, e eu fico pensando nessas madrugadas todas, desde aquele tempo...como é que a gente vai saber sobre o que não aconteceu?

domingo, março 07, 2010

pra eles, o outro lado;

há coisas que é preciso terminar. Mas há coisas que devem ser feitas na hora exata, não podem ser deixadas pra depois, sob o peso de perderem um pouco do encanto.
E após umas horas estava eu ainda pensando no que foi que se quebrou nessa história toda: novas chances implicam novas circunstâncias. Acho que é assim que se percebe o quanto se muda no curto espaço de uma vida fragmentada em momentos vagos - o de ontem não sou eu, o de antes já não é mais, ainda que se tente colocá-lo naquele lugar novamente.
Tudo é válido, todavia. Afinal, eu pensara tanto e conjecturara muito, tudo isso pra, por fim, ver que o Ser difere mesmo do Dever Ser. Me lembro de ter dormido aquele dia pensando ainda nos porquês dos afins e poréns...há coisas estranhas na vida; viver é muito perigoso.
Sabe, fazia tempo que eu não sentia o gosto do meu capuccino, como nos velhos tempos. O gosto...o gosto sempre traz tantas lembranças embutidas e empacadas, atravessadas no meio do caminho.

quarta-feira, março 03, 2010

a luz do sol na caneca de café

e nossas preocupações cotidianas. Tenho a impressão de que sempre começo do mesmo jeito, frases na mesma cadência. Constante, previsível, mas algumas coisas me surpreendem ultimamente, em especial a velocidade com que tudo passa. Mas tenho medo de deixar algumas coisas pra trás, não dar a devida atenção, ser injusto, insensível - muitos males vêm da distração dentro do próprio orgulho. Meu orgulho, pondo-me de frente a mim mesmo, me torna medíocre, parece que tenho só sido errado...mas por outro lado, são tantas coisas movendo-se com uma velocidade inacreditável, que nem sei; o impensável está em frente e ao lado, acima e além, em nossas escolhas e no que virá sem sabermos ao certo. É quase sempre uma expectativa de algo novo, expectativa que não se consome, só cresce, cresce, mesmo sabendo-se "frustrada".
E me sinto forte, me sinto prestes a superar cada vez mais novas barreiras, e objetivando-me em terceiros, conhecer-me mais. O outro é sempre o melhor modo de nos conhecer, como quem vai a tatear no escuro.
Vou escrevendo ansiosamente, e preciso ver, qualquer dia, o sol se pôr por entre esses prédios. A dor me fragiliza tanto, que um não é sempre uma porrada na cabeça. Contudo, a culpa é de quem?

segunda-feira, março 01, 2010

o que essa chuva te faz pensar -

que perdi uns escritos importantes, umas frases tão boas, cheias de silêncio e dúvida.
Mas sabe que, no fim das contas, a percepção da responsabilidade das ações e omissões conduz à outra descoberta - o que é que se tem a perder?