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quarta-feira, dezembro 17, 2014

Um pedido de ajuda para as Hempstock no dia de hoje

Como o protagonista de O Oceano no fim do caminho, hoje eu só queria ter o dia recortado e costurado delicadamente. Talvez não só o dia, mas alguns dias, semanas, e de repente voltar ao momento exato no qual eu ainda não tinha sentido estas coisas todas, esta confusão, e o buraco no peito ainda não existia, e eu não tinha falado coisas que não devia. O buraco no coração se tornou a morada de um monstro a ser combatido apenas, veja bem, pela confiança em si mesmo. Isso tem muito a me ensinar daqui pra frente, em todos os sentidos, em todos os campos. 
A discussão entre "só" e "bastante" é impossível de ser apaziguada e as perspectivas de tempo variam de acordo com quem está no centro: quem vai e quem fica. Isto sou eu, as cicatrizes falam e amadurecimento também significa entender as partes feias e frágeis do meu ser, e pensar como posso lapidá-las, torná-las inofensivas.

sábado, dezembro 13, 2014

Yellow

Parece que foi ontem que eu entrei naquela papelaria ao lado do meu restaurante favorito pra comprar uma agenda pra 2014, porque não estava dando conta dos compromissos - não porque fossem muitos, mas porque eu me perdia e já não acompanhava o ritmo. Aí neste meio tempo essa agenda acompanhou muita viagem e mudança, ganhou muita anotação inútil, compromisso cumprido ou desmarcado, o tempo passou voando e de repente já era hora de comprar uma agenda pra 2015. Antes disso, porém, estivemos na mesma papelaria pra resolver algumas das suas questões práticas e uma parte da minha vida se abriu ali. Nos despedimos até-não-sei-quando (sei, mas não sei se) e o meu coração foi ficando pequenininho como se precisasse de muito tempo pra curá-lo. Porque as despedidas sempre acabam comigo, em especial neste caso, pois não sou eu quem parto, mas fico. É realmente difícil voltar pra casa e encontrar a comida pela metade (o bolo, que de cada pedaço que eu partia pra mim, você comia um pouquinho) e os fios de cabelo curtos e claros na minha cama sendo que a contagem regressiva ainda nem começou, na verdade. Faço a menor ideia de como vai ser ou se eu deveria esperar algo - na verdade: não, porque a sua visão romantizadora do mundo precisa de alimento real e não de ideias. De forma parecida, estes elementos materiais me legaram uma lembrança ao menos acolhedora daquele jeito de estarmos juntos do modo mais colado possível, deitados, abraçados, com as pernas entrelaçadas ou as minhas por cima das suas.
A sensibilidade que você diz, ela pode ser verdade. 

Boyhood é também sobre o tempo. Os 15 anos de Mason foram em algum tempo os 15 anos da filha de Ethan Hawke, celebrados com o Black Album. É bonito e essencial que os anos de Mason também sejam os de Samantha, dividindo o quarto, aprendendo juntos a atirar, indo a festas, iniciando os relacionamentos. Boyhood é sobre todas essas coisas que têm seu tempo, mas passam; todas essas coisas que têm sua beleza datada, estas coisas meio inevitáveis que a maioria de nós vai atravessar ou presenciar. Talvez por isso seja tão difícil falar sobre ele.