de mate com limão. Bebo como se fosse café. Gosto mais de blues que jazz, mas hoje Fitzgerald tá boa demais. Dou umas voltas, penso "parabéns Bowie", ouço ainda On the way home. Tanta coisa pra ler, tanto livro e página...penso em Fernando Pessoa e na vida dedicada só à escrita, abarcando um múltiplo tão múltiplo como não há igual em outro lugar. Uma porção de coisas pra fazer; preciso de uma poesia, sabe, daquelas bem diferentes. Mas há tanta beleza, muita música (re)descoberta, que vai passando o medo de um encontro, e dá lugar à vontade de outros encontros. Tá, é claro que às vezes volta alguma coisa, um peso no estômago bem estranho, mas o saldo tem sido positivo do que se pode esperar quando nada há planejado.
domingo, janeiro 09, 2011
sexta-feira, janeiro 07, 2011
"Shoulder to shoulder..
but not advanced...You, me...it's all just circumstance".
Lado a lado, cada um com seu plano, mas no fundo é a mesma coisa. Mesas pares, um respondia inconscientemente ao movimento do outro, ao barulho do outro, à respiração do outro. Foi engraçado como há tempos não se via, e eu tinha muita vontade de rir, de virar a cabeça pra direita, sabendo que se o fizesse não veria senão alguém como eu, tentando se concentrar atento aos gestos alheios. Visão periférica. Ou não. Ou é tudo coisa da minha cabeça.
Em todo caso, eu gostaria de poder cultivar algo novo; vendo alguns passos anteriores, percebo as falhas (mea culpa) e penso que tudo pode ser remediado, quando começado de novo. Do zero, zero e um. Nem sei qual grau na escala, posto que há tantas coisas mas foi no fundo nada.
Enfim, quem sabe a vida dá novas chances, e quem sabe se possa dar novos passos? The next time around...It's how it's means to be - a brand new start.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
aquilo que a gente não sabe.
Mas é engraçado como o tempo de trocar de roupa e descer, segurando o guarda-chuva vermelho, cabelos mais escuros agora, a blusa verde; o tempo foi exato pra encontrar ou descobrir um outro caminho. Não novo, nem certo - apenas outro. Em tempos de repetição, um outro caminho engendra uma multidão de outras considerações. Meio mágico, eu achei, embora indique nada, embora nunca tenha indicado algo. Mas deve ser o tempo, essa cidade quente e chuvosa, as tempestades de fim de tarde, são todas surpresas. Warning sign, como em outros tempos, mas agora mais claro, mais limpo.
"Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras". Caio, caio...
sexta-feira, dezembro 31, 2010
feliz ano velho:
o título é do Rubens Paiva, mas a história é domínio popular, dominó de acontecimentos ao longo do ano que fazem com que se queira se despedir dele. Eu, de minha parte, só aceito um ano novo se ele for realmente novo. Penso tanto, essas datas são propícias; lembro tanto, esse tempo é propício. Mas como começar algo novo preso às velharias?
Wir sind helden.
sexta-feira, dezembro 24, 2010
o que eu também não entendo.
Tanta gente, tanta gente. Tanta coisa, tudo. Muita rua, muito pano, roupa, riso, palavra, desejos bons, é fim de ano, natal e não-sei-o-quê. É muito tudo, quando a gente descobre que precisa de pouco, um pouco que a gente nem sabe mais o que é, ou como medir - se é o pouco de uma presença, presença por telefone, por pensamento, ou ao vivo, a cores, naquelas cores de musical dos anos trinta. Parecia personagem de uma história surreal. Metade de mim é saudade...
Quase perdi o que acabo de escrever, da mesma forma que parece que vou perdendo outras coisas. E me perdendo por aí, como diz o médico, como quem está lutando, tentando. Foi impossível não rir de uma definição tão correta, no fundo, e sem se saber.
Saudade, daquela de romance. Saudade do que se quiser: tanta gente legal que eu conheci e me faz falta. Deveria ser um tempo de reflexão, introspecção, mas quando eu estou sozinha, agora, me assaltam tantos pensamentos que não deveriam, que não tem porquê...Eu vou aprendendo um bocado, não canso de repetir, mas a duras penas. Não achava que viver fosse tão duro, mas é o preço do mundo. sei lá. Sei lá, como em outras épocas, só sei dizer "sei lá", "não sei", em diversas línguas. Diagnóstico de uma época perdida: meus vinte e poucos anos.
terça-feira, dezembro 21, 2010
dezembro.
Vou marcando os tempos, marcando à tinta na pele. Algumas coisas se vão, e tá meio difícil escrever...falta de...sei lá. Sinto tantas saudades. Como isso é possível? E como é que se faz pra isso passar?
Tinha melhorado. Não que agora não esteja bom, mas tem uma dor, dorzinha besta lá no fundo, como sem ter porque.
sexta-feira, dezembro 17, 2010
arrumar as malas;
é como se diz: depois de tanto viajar, será que existe um porto?
Eu não sei. Não gosto de fazer as malas; dá um trabalho, sensação de que algo será esquecido. A velha sensação ruim ao saber que algo vai ser inevitavelmente deixado pra trás...tão difícil lidar com isso, ainda que todos sejam mais hora, menos hora, deixados pra trás. É que ninguém quer lidar com isso deste jeito, tão seco, tão cru - mas eu sou seco, tomo decisões abruptas...ao mesmo tempo que as histórias ternas me tornam triste e calmo e sentimental.
São Paulo fica tão bonita à noite, e mesmo quando chove. Dias há que tudo convém na hora exata, o terrível é que esta imprevisibilidade faz dos mesmos dias um ponto de retomada de lembranças. Aos poucos cada cena do filme, cada cena da rua, foram me deixando vulnerável, queria voltar pra casa, me refugiar com meus livros no pequeno apartamento e espantar qualquer possibilidade de cruzar com os velhos fantasmas que, algo me dizia, voltam a rondar. Indiretamente, warning sign; mas se há um mês e mais isso fazia sentido e preenchia expectativa, hoje me dá o impulso pra ir pra longe, onde não haja encontro, fora desta esfera na qual acho sinais o tempo todo.
Sabe, queria tanto um café, mas não tem água aqui hoje. Deveria eu dormir? Cheguei no limite do esgotamento mental e saí dele, mas estou prestes a retornar.
Pensando bem, estamos todos a buscar a excelência - tentando acertar o ponto exato. Há uma progressão nas tentativas, se isto consola....
E pensando mais ainda, esses tempos foram construtivos. Aprendi um bocado a me virar, segurando a barra mais sozinho. Caio F., venha a meu auxílio, porque o cansaço começa a impedir de pensar.
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