E se aos 25, em vez de grandes resoluções pra vida, aprendesse enfim a assobiar? Tocar gaita? Odeon no violão? Descobrisse Bukowski? Atravessasse o Fausto? Aprendesse a desenhar? Transformasse rascunho em livro?
segunda-feira, novembro 10, 2014
domingo, novembro 09, 2014
Para amigos distantes
A vida, bem como se encarrega de colocar as pessoas no caminho, às vezes se encarrega também de afastá-las. Acho que ela identifica uma diferença de sintonias e por isso a conversa e o interesse já não se sustentam.
E nada pior a oferecer para uma amizade outrora sincera que a obrigação e a falsidade.
Tenho lembranças boas de nossos momentos felizes e penso em você sempre com carinho e desejando que encontre um bom caminho. Ainda não li o livro que me deu de presente ano passado nesta época, no meu aniversário, mas sei que quando ler vou manter um fio de contato aceso através deste interesse que compartilhávamos.
sábado, novembro 08, 2014
Narrativas
De um impulso eu li o Meu pé de laranja lima e terminei o livro aos prantos. Não seria mentira se dissesse que já na página 02 tive a sensação de que seria um livro especial, uma sensação parecida com a que tive ao iniciar o 1933 foi um ano ruim. Os dois romances guardam muitas semelhanças que disparam minha sensibilidade: narrativas de família centradas em um membro do núcleo familiar - os protagonistas Zezé, no romance de José Mauro de Vasconcelos, e Dominic Molise, no de John Fante. Famílias pobres, de cotidiano duro, que também as torna pessoas duras, especialmente a figura do pai, que em ambos os romances representa a autoridade imposta, o ápice do conflito, a violência. Os protagonistas encarnam por vezes o erro, muito embora por dentro sejam pessoas sensíveis demais, precoces demais, mas não se furtam a tentar resolver os problemas sempre da pior maneira possível, como é comum às pessoas normais.
Dominic tem n'O Braço a proteção e a projeção de um sonho que não é só um sonho individual, mas que poderia tirar a família da pobreza. Zezé, como criança, tem o refúgio na dimensão da fantasia, no seu Minguinho, Xuxuruca, o pé de laranja lima que é o melhor amigo. Por outro lado, o Portuga é o maior amigo, a figura paterna carinhosa, compreensiva mas que sabe repreender, e que abomina ao mesmo tempo os palavrões pelos quais Zezé expressa sua revolta e raiva e a violência crônica com a qual Zezé é tratado em casa, além da violência psicológica, ao ser levado a crer que não é uma boa criança e que tem o diabo como padrinho.
Zezé conhece cedo a dor e a descreve com a simplicidade de quem vê as coisas pela primeira vez. Dominic é levado a compreender que o orgulho de ser o que se é ultrapassa mesmo os maiores sonho.
quinta-feira, novembro 06, 2014
Hipocrisia imperceptível ou disfarçada?
Já me deram a dica antes: por vezes o desapego material é muito fácil pra quem tem a possibilidade de ter.
De repente todo mundo passou a cultuar o minimalismo material sem pensar que, pra muita gente, conquistas materiais são coisas importantes e representam, em certa medida, sonhos realizados. No registro particular posso achar supérfluas um milhão de coisas, mas devo reconhecer que muitas vezes para mim foi ao menos concebível tê-las. Um carro, um celular, uma roupa cara, todas essas coisas prescindíveis não são significativas na minha vida, mas podem representar muito na de outras pessoas, que trabalham muito para conquistá-las. Quem sou eu para julgar o seu esforço, seu trabalho, suas opções? Por mais que a ideia workaholic não me atraia, que diferença faz na minha vida que outras pessoas sejam assim? Por que suas atitudes devem me parecer então condenáveis?
Eu tenho o meu campo de consumo. Os livros não me deixam mentir, o guarda-roupa por vezes pensado para soar "desencanado" tem roupas que eu quis comprar. Eu escolhi empregar meu dinheiro nisso. É meu nível de consumo - qual o problema que cada pessoa tenha o seu?
Quem determina o limite? Eu? Elas? Você? O limite de quem?
Quão bom eu sou se limito meu consumo para, dois passos depois, bater no peito e falar com desprezo sobre as pessoas que decidem onde usar o dinheiro delas, fruto do trabalho e do tempo delas?
Você precisa de algo assim, uma fundamentação exterior para sua bondade? De uma religião, de uma crença, de um ideal, de uma vida posterior, de um motivo para ser bom, justo e correto?
quarta-feira, novembro 05, 2014
A dança
Cajuína é música de tocar em filme nacional. Eu fecho os olhos e imagino a cena: uma sala de reboco com gente dançando devagar, a câmera vai também devagar mostrando, à meia-luz os cantos empoeirados, as cinturas rodando, uma mesa de canto com bebida, sandália velha no chão sujo.
Ato de carinho é e sempre vai ser mostrar minhas músicas preferidas, introduzindo os artistas e meus contextos de arrebatamento com as canções.
segunda-feira, novembro 03, 2014
Dos recentes passados
Precisava de um remédio que me curasse a dor da rejeição, mas não queria anular o sentimento bom que sinto surgir quando penso que, para além de mim, você está feliz com alguém. Talvez porque essas coisas todas estejam fadadas a acabar, a sumir, desaparecer no nada das coisas não-materiais não-ditas e não-vividas.
No presente a mente, o corpo é diferente. E o passado é uma roupa que não nos serve mais.
domingo, novembro 02, 2014
Incômodos
Por que preciso da aprovação de pessoas que não se importam em ser legais comigo?
O assunto me incomodou e não minto. Me fez pensar e não disfarço - por que eu devo beleza a alguém? Por que as pessoas têm o direito de me julgar por minha aparência física?
Eu fiquei pensando nisso porque magicamente comecei a me sentir inadequada em meu próprio corpo. O meu corpo, através do qual faço coisas incríveis, começou a parecer errado e inadequado. Então eu fui encarar o problema de frente, porque não é mudando o meu corpo que vou aprender a lidar com a sensação de que certos corpos parecem inadequados. Eu tenho de atacar o problema na raiz, ou seja, superar a ideia de que corpo algum, em qualquer configuração, seja inadequado.
Fiquei feliz pois falando com amigas percebi que muitas aprenderam a superar os comentários alheios e a imposição de beleza. É sempre bom e inspirador estar ao lado de pessoas que nos tornam melhores. Cada uma deu um conselho e uma experiência, que vou adequar à minha.
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